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Thousands of Iraqis who fled IS’s iron grip and the US-led coalition’s bombing campaigns, they have all but lost hope in their country’s future. Their story is a testament to the fact that, while the Islamic State group has been crushed militarily, peace and prosperity remain a distant dream for many Iraqis.
Relatório Anual 2018

Iraque

Crianças deslocadas pela violência do grupo Estado Islâmico e por bombardeios da coalizão liderada pelos Estados Unidos enchem uma garrafa de água em um tanque no campo de deslocados de Amriyat al-Falluja. Iraque, outubro de 2018.
© Mohammad Ghannam/MSF
Ebola disease in DRC: find out how we're responding
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MSF no Iraque em 2018 Com quase 2 milhões de pessoas ainda deslocadas e muitas instalações de saúde danificadas ou destruídas, as necessidades médicas continuam extremamente altas no Iraque.
Map showing location of MSF projects in 2018.
Map showing location of MSF projects in 2018.
© MSF

Embora o conflito tenha diminuído no fim de 2017 e um número crescente de pessoas deslocadas tenha regressado às suas áreas de origem em 2018, significativas barreiras ainda persistem.<a href="http://iraqdtm.iom.int/">Matriz de rastreamento de deslocamentos no Iraque da Organização Internacional para Migrações</a> Muitas famílias deslocadas não têm a documentação necessária; as propriedades e os meios de subsistência foram danificados ou destruídos; e as preocupações de segurança persistem em algumas áreas. O contexto permanece complexo e imprevisível em razão de disputas políticas em curso, conflitos tribais e ataques de grupos armados.

Em 2018, Médicos Sem Fronteiras (MSF) continuou a oferecer serviços que vão desde cuidados básicos de saúde e tratamento de doenças não transmissíveis (DNTs) até maternidade, pediatria e emergência, cirurgia e suporte de saúde mental para deslocados, retornados e comunidades mais afetadas pela violência. Também reabilitamos e equipamos hospitais e clínicas em algumas das regiões mais afetadas pela guerra, para ajudar a recuperar o sistema de saúde iraquiano.
 

Província de Anbar

Continuamos a oferecer cuidados básicos de saúde, tratamento para DNTs e serviços de saúde mental, incluindo atendimento psiquiátrico, em dois campos para deslocados internos, repassando as atividades no segundo semestre do ano, à medida que as populações dos campos diminuíram gradualmente e outras organizações iniciaram a oferta de serviços médicos.

Em abril, abrimos um ambulatório no hospital-escola Ramadi, para tratar pacientes com transtornos mentais de moderados a graves.

Província de Bagdá

No Centro de Reabilitação Médica de Bagdá, nossas equipes ofereceram reabilitação pós-operatória a 261 pacientes gravemente feridos em 2018, incluindo fisioterapia, controle da dor e cuidados de saúde mental.
Também concluímos a reabilitação do departamento de emergência do hospital Imam Ali, na cidade de Sadr, com a instalação de equipamentos médicos de alta qualidade e um novo sistema de triagem, fornecemos 60 mil comprimidos de medicamentos de primeira linha ao programa nacional de tuberculose (TB) do Iraque e doamos uma máquina GeneXpert para a clínica respiratória e torácica Rusafa, para melhorar a detecção de TB resistente a medicamentos.

Província de Diyala

As equipes de MSF ofereceram tratamento para DNTs, suporte de saúde mental e assistência à saúde sexual e reprodutiva em centros de saúde primária de Jalawla e Sadiya para famílias que retornaram à área e em campos para deslocados em Khanaqin. Também realizamos sessões de educação em saúde sobre doenças crônicas e endêmicas, saúde sexual e reprodutiva e primeiros socorros psicológicos.

Província de Erbil

Oferecemos cuidados psicológicos, psiquiátricos e psicossociais em quatro campos diferentes em torno de Erbil e para pessoas deslocadas e comunidades anfitriãs em Kalak. Reduzimos nossas atividades em outubro, à medida que as populações do campo diminuíram, concentrando-nos em casos de saúde mental de moderada a grave e tratamento para DNTs.

Província de Kirkuk

Como as pessoas deslocadas continuaram retornando a Hawija, uma das áreas mais afetadas pelo conflito, nossas equipes realizaram quase 14.500 consultas ambulatoriais, bem como tratamento para DNTs e sessões de educação em saúde nas cidades de Al-Abassi e Hawija. Também oferecemos cuidados de saúde mental em Al-Abassi e reabilitamos as estações de água em Al-Shazera e Al-Abassi, para garantir água potável e prevenir surtos de doenças transmitidas pela água.

Continuamos a oferecer cuidados básicos médicos e de saúde mental no campo de Daquq, até o fechamento, em setembro, e oferecemos suporte técnico e treinamento no hospital de Hawija no pronto-socorro, no departamento de laboratório e de maternidade e na prevenção e controle de infecções.

There are 12 beds in the emergency room, two for the red cases (life threatening emergencies requiring immediate care) and 10 for yellow cases. 
Dr. Mohammed Salih, an MSF doctor:  “At the beginning of the project, we received massive influxes of wounded, approximately 100 to 120 patients per day in the emergency room. You know, with the war there was a lot of trauma injuries explosions, we intervened to stabilize them. It was vital first aid. Now we focus on red cases, as well as paediatric and medical emergencies."
O dr. Mohammed Salih e seu colega tratam um jovem paciente no pronto-socorro do hospital de Nablus, no oeste de Mossul, no Iraque, em março de 2018.
MSF/Louise Annaud

Província de Ninewa

Vários bairros em Mossul ainda estão sob pilhas de escombros e milhares de pessoas lutam para ter acesso a serviços básicos, como saúde, água e eletricidade. Em 2018, ampliamos nossas atividades médicas no leste e no oeste de Mossul.

Em Nablus, oeste de Mossul, mantivemos uma maternidade abrangente, com capacidade cirúrgica para cesarianas, atendimento pediátrico (inclusive para recém-nascidos), estabilização e encaminhamentos para emergências e serviços de saúde mental. Nossas equipes auxiliaram mais de 5.300 partos normais, realizaram 1.120 cesáreas e trataram 34.500 pacientes no pronto-socorro.

Em abril, abrimos uma unidade de atendimento abrangente pós-operatório no leste de Mossul para pacientes com lesões traumáticas provocadas por violência ou acidentais. A instalação tem um centro cirúrgico móvel, uma enfermaria de internação de 20 leitos, 11 salas de recuperação, um departamento de saúde mental e uma unidade de reabilitação.

Em julho, lançamos um programa especificamente voltado para aumentar o acesso a cuidados de saúde mental e psicossocial. Trabalhando em três centros de saúde, nossas equipes oferecem aconselhamento, primeiros socorros psicossociais, apoio psicossocial e encaminhamentos para atendimento psiquiátrico.

No fim do ano, também concluímos a reabilitação do departamento de emergência 24 horas do hospital Al-Salam, que agora tem duas enfermarias, uma sala de trauma, uma farmácia, duas salas de consulta e uma área de triagem.

Ao sul de Mossul, oferecemos consultas de emergência, tratamento intensivo, tratamento de queimaduras e cuidados de saúde mental para a população residente e deslocada do subdistrito de Qayyarah e na área adjacente. Nosso hospital de 62 leitos tem um departamento de internação, uma enfermaria pediátrica e um centro de alimentação terapêutica para pacientes internados. À medida que as necessidades de saúde das pessoas deslocadas e das pessoas que retornam à área continuaram a crescer em 2018, expandimos nossas atividades para tratamento de queimaduras e de recém-nascidos e montamos um segundo centro cirúrgico. Nossas equipes realizaram mais de 18 mil consultas no pronto-socorro e quase 2.500 cirurgias durante o ano.
Também começamos a oferecer cuidados básicos de saúde no acampamento Qayyarah Airstrip no início de 2018, incluindo tratamento ambulatorial para desnutrição, cuidados com a saúde mental, serviços de saúde sexual e reprodutiva e encaminhamentos. Em julho, adicionamos um pronto-socorro 24 horas.

Em agosto, concluímos a reabilitação do hospital Sinuni, no distrito de Sinjar, onde as atividades médicas eram significativamente limitadas durante o conflito. Foi reaberto com pronto-socorro totalmente equipado, maternidade, enfermaria de internação pediátrica e serviços de saúde mental.

Também mantivemos o fornecimento de cuidados emergenciais materno-infantis, pediatria básica, serviços de estabilização de emergência e apoio à saúde mental na unidade de saúde de Tal Maraq, subdistrito de Zummar.
 

Província de Salahddine

Nos primeiros seis meses do ano, realizamos consultas ambulatoriais e de saúde mental para retornados e deslocados por meio de nossas clínicas móveis em Tikrit e fizemos a gestão de um centro de atenção de saúde primária no campo de Al-Allam. Após a redução do número de deslocados e o aumento das atividades de outras organizações, repassamos em junho essas atividades ao Departamento de Saúde do Iraque.

Atividades de resposta a emergências

Depois que vários casos de febre hemorrágica da Crimeia-Congo foram relatados em diferentes regiões do Iraque, rapidamente enviamos uma equipe de especialistas para apoiar os hospitais. Em julho, 228 médicos, enfermeiros e faxineiros iraquianos foram treinados em cinco hospitais públicos nas províncias de Diwaniyah, Najaf, Babel e Bagdá. Também apoiamos em julho o Departamento de Saúde para vacinar mais de 111 mil crianças com idade entre 6 meses e 15 anos em resposta a um surto de sarampo na província de Ninewa.

História de Rasmiyya

Em 2004, após a invasão dos Estados Unidos, Rasmiyya perdeu quatro de seus filhos no bombardeio de sua cidade natal, Fallujah. Outro de seus filhos está na prisão desde 2006, acusado de colaborar com militantes.

“Eu fugi de Fallujah com meu filho Mohammad, em 8 de janeiro de 2014. Fomos para Bagdá.” Por um tempo, seu marido se recusou a deixar Fallujah apesar do bombardeio, mas em 2015 ela o convenceu. “Eu não o reconhecia, ele estava tão magro. E depois de dois meses em Bagdá, ele morreu. Não tínhamos dinheiro e não havia serviços médicos adequados para nós.”

Em outubro de 2016, Rasmiyya tinha pouca escolha a não ser mudar-se para o campo Amriyat Al-Fallujah para deslocados internos. “Meu filho Mohammad, que veio comigo para o campo, teve sorte de encontrar um trabalho em uma fábrica perto daqui. Mas há três meses, um grupo de homens armados chegaram em um carro e o levaram. Eu não tive notícias dele desde então.”

As quatro filhas de Rasmiyya e um filho estão morando em Bagdá. “Eu queria poder voar até lá para vê-los. Os pontos de controle ao redor do campo me impedem de sair.”

Rasmiyya, 63, who raised seven sons and four daughters, now lives alone in a camp for displaced people. Her story reflects the multiple layers of violence and loss that many in Iraq have suffered over recent years.
In 2004, following the US invasion, she lost four of her seven sons in the bombing of their home city Falluja. Their names were Haqqi, aged 27 at the time of his death, Omar, aged 25, Adnan, 16, and Ahmad, 21. 
“I was out of the house. My husband and I had gone to buy food for the children. When we came back we saw the house had been reduced to rubble. I wished at that moment that I could have stayed home and died with them. It took me a while to find some peace again. God gave them to me, and God took them away again. I am now waiting to see them in heaven,” she says. 
The US compensated Rasmiyya and her husband for the destruction of their home, which they were able to rebuild. 
Another of her sons, Sarhan, has been jailed since 2006, accused of collaborating with militants. “He is still in prison to date. Sometimes I hear news that he is still alive in there,” Rasmiyya says.
Several years went by, the Islamic State took over Falluja, and once again life became unbearable for Rasmiyya and her family.
“The bombing (by the US-led coalition against IS) was horrific and constant,” she says. 
“I fled Falluja with my son Mohammad, on January 8, 2014. We went to Baghdad. The journey there was really hard because the roads were blocked. But we eventually made it.”
For a time, Rasmiyya’s husband Ismail refused to leave Falluja in spite of the bombing. But in 2015 she travelled back to her home city to convince him to flee. “I didn’t recognise him, he was so thin,” she said.
“And after two months in Baghdad, he died. We had no money, and there were no adequate medical services for us.”   
In October 2016, Rasmiyya had little choice but to move to Amriyat al-Falluja camp for IDPs. 
“My other son Mohammad, who came with me to the camp, was lucky to find a job in a factory nearby. But three months ago, a group of armed men arrived in a car and took him away. I have had no news of him since.” 
Rasmiyya calls Mohammad’s phone at least five times a day since he was taken and it is still turned off. “I always think he will answer.” 
Rasmiyya has four daughters living in Baghdad, as well as a son named Khaled. “I wish I could fly there to see them. The checkpoints surrounding the camp prevent me from leaving,” she says.
Rasmiyya, 63, raised seven sons and four daughters, and now lives alone in Amriyat Al-Fallujah camp for displaced people. Iraq, October 2018.
© Mohammad Ghannam/MSF