Skip to main content
People disembark search and rescue vessel Aquarius, operated by SOS Méditerranée in partnership with Médecins Sans Frontières/Doctors Without Borders (MSF), in Valencia, Spain. The disembarkation is the end of a terrible ordeal for the men, women and children who spent multiple days at sea.
Relatório Anual 2018

Prefácio

People disembark the Aquarius search and rescue vessel in Valencia, Spain, June 2018.
© Kenny Karpov/SOS MEDITERRANEE
Ebola disease in DRC: find out how we're responding
Learn more

Com dezenas de milhões de pessoas em movimento em todo o mundo e milhões presos em conflitos, em meio a forças políticas que, deliberadamente ou não, bloqueiam o acesso à ajuda que salva vidas, a escala de violência e sofrimento infligida a civis permaneceu aterrorizante em 2018.

Em 2018, Médicos Sem Fronteiras (MSF) foi confrontada com uma enxurrada de ataques cínicos e narrativas tóxicas destinados a criminalizar os migrantes e aqueles que mostravam solidariedade para com eles, minando a ação humanitária, o direito internacional e os princípios da humanidade e da solidariedade. O mais emblemático e descarado desses ataques pôs fim às operações de busca e salvamento do navio Aquarius no mar Mediterrâneo, condenando cada vez mais homens, mulheres e crianças a se afogarem ao longo da rota migratória mais letal do mundo. Quaisquer que sejam as razões para deixar sua terra natal — por fuga da violência, da pobreza, da insegurança ou dos efeitos da mudança climática —, as pessoas em movimento têm direito à proteção e a cuidados médicos, assim como aqueles que optam por ficar ou que não conseguem ir embora.

Quer se encaixe na agenda política ou não, continuaremos a oferecer a assistência médica mais apropriada e eficaz a todas as pessoas em sofrimento. Nossas equipes conduzem avaliações independentes para determinar as necessidades médicas e qual assistência podemos oferecer, consultando primeira e principalmente as pessoas que procuramos ajudar. Como poderá ser visto neste relatório sobre nossas atividades, o engajamento da comunidade e os modelos de atenção centrados no paciente já são parte integrante de muitos de nossos projetos, mas compreender como podemos trabalhar melhor com nossos pacientes e suas comunidades para definir os modelos de cuidado mais adequados continua a ser uma prioridade para nós. Essa é a única maneira de verdadeiramente prestarmos contas perante as pessoas que ajudamos e de permanecermos aptos para cumprir nosso objetivo nos anos pela frente.

Não podemos falar em prestação de contas e em “nos centrarmos nas pessoas” sem mencionar nossos esforços para combater o abuso e o comportamento inadequado dentro de MSF e fornecer apoio às vítimas. Os canais de denúncia foram aprimorados, e, como resultado, temos visto um aumento no número de casos relatados. Porém, dados o tamanho e o escopo de nossa organização, sabemos que deve haver mais. Portanto, devemos fazer mais — melhorar nossos sistemas, torná-los amplamente acessíveis e garantir que sejam confiáveis e usados por todos os nossos profissionais e pacientes, seus cuidadores e suas comunidades.

Nossa missão social estabelece que nossas equipes trabalhem em situações difíceis e estressantes, muitas vezes em circunstâncias horríveis, para oferecer assistência médica que salva vidas a pessoas que não teriam outra forma de assistência. Somos imensamente gratos às dezenas de milhares de profissionais em campo que passam o dia a dia ajudando os outros. Esse trabalho não seria possível sem o apoio de nossos mais de 6,3 milhões de doadores. Obrigado por sua contínua confiança em nosso trabalho.