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Laura, MSF midwife, checks the belly of a pregnant patient.
Relatório Anual 2018

Bangladesh

A parteira de MSF, Laura, examina uma mulher grávida no campo de Jamtoli, Bangladesh, em novembro de 2018.
© Elena Di Natale
Ebola disease in DRC: find out how we're responding
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MSF em Bangladesh em 2018 Médicos Sem Fronteiras (MSF) mantém a resposta às necessidades médicas e humanitárias dos refugiados rohingyas e das comunidades vulneráveis de Bangladesh, além de abordar as lacunas nos cuidados de saúde na favela Kamrangirchar de Daca.
Map showing location of MSF projects in 2018.
Map showing location of MSF projects in 2018.
© MSF

Rapidamente, ampliamos nossas operações em Cox’s Bazar em resposta ao fluxo maciço de rohingyas no segundo semestre de 2017 e nos primeiros três meses de 2018. Isso ocorreu após uma nova onda de violência de militares de Mianmar contra essa população, que começou em agosto de 2017. No final de 2018, continuávamos sendo um dos principais provedores de assistência humanitária aos rohingyas apátridas, dos quais aproximadamente 1 milhão procuraram refúgio em Bangladesh.

A maioria dos rohingyas vive em abrigos precários em acampamentos superlotados propensos a deslizamentos de terra e inundações, onde a qualidade dos serviços de higiene e de saneamento é terrível, além de faltar água potável para consumo. As principais doenças que tratamos, como infecções do trato respiratório superior e inferior e doenças de pele, estão diretamente relacionadas com as más condições de vida.

No final de 2018, havia equipes trabalhando em quatro hospitais, cinco centros de saúde primária, cinco postos de saúde e um centro de resposta a surtos, que, juntos, fornecem uma gama de serviços de internação e ambulatoriais, incluindo cuidados intensivos e de emergência, pediatria, obstetrícia, cuidados de saúde sexual e reprodutiva, tratamento para vítimas de violência sexual e para pacientes com doenças não transmissíveis, como diabetes e hipertensão, além de exames laboratoriais.

Saúde mental e serviços psiquiátricos também estavam disponíveis na maioria das instalações de MSF até o fim do ano. Equipes de promoção da saúde e de sensibilização da comunidade visitaram os acampamentos de refugiados, incluindo o mega-acampamento de Kutupalong-Balukhali — que, em 2018, tornou-se o maior campo de refugiados do mundo —, para monitorar indicadores de saúde, responder a surtos de doenças, oferecer educação sobre saúde e higiene e aumentar a conscientização sobre violência sexual.

Rohingya refugees queue for a meal provided by a Turkish aid agency at a food distribution site in Shofiullah Kata Camp in the Moynargona area of Cox’s Bazar . The refugee camps in Cox’s Bazar are home to over 900,000 Rohingya refugees who fled Myanmar in August 2017. Cox’s Bazar, Bangladesh. 20th July, 2018. Photo: Kate Geraghty
July 2018, Cox’s Bazar, Bangladesh: Rohingya refugees queue for a food distribution in Shofiullah Kata Camp, in the Moynargona area of Cox’s Bazar.
Kate Geraghty/Fairfax Media

Respondemos a surtos de difteria, sarampo e catapora, em 2018, que refletiram a falta de acesso dos rohingyas a vacinação de rotina e cuidados básicos de saúde em Mianmar. Trabalhando com o Ministério da Saúde de Bangladesh, realizamos vacinações em massa contra cólera, difteria e sarampo, bem como vacinação de rotina, na maioria das unidades de saúde. No fim do ano, os surtos haviam sido contidos, embora ainda houvesse alguns casos de difteria. Também tratamos várias centenas de casos de catapora, uma doença que pode causar complicações para gestantes e pessoas com sistema imunológico debilitado.

Além disso, montamos uma estrutura de tratamento maciço de água e saneamento nos campos, estabelecendo dois sistemas de distribuição de água que beneficiam centenas de milhares de pessoas. Perfuramos poços convencionais e de tubos, reabilitamos antigas latrinas e construímos outras, novas e sustentáveis, além de chuveiros, e distribuímos filtros de água domésticos.

No segundo semestre do ano, abordamos novamente as lacunas na atenção secundária e aumentamos a capacidade dos hospitais em Cox’s Bazar. Começamos a trabalhar com as autoridades do hospital Sadar e a Direção Geral de Serviços de Saúde para melhorar o controle de infecções, os protocolos de higiene e a gestão de resíduos hospitalares do distrito de Sadar, a fim de reduzir as infecções hospitalares. Apoiamos o desenvolvimento de uma zona de resíduos que será a primeira desse tipo em um hospital público em Bangladesh, garantindo que o lixo hospitalar seja devidamente separado e eliminado.
 

Favela Kamrangirchar

Nossas equipes em Kamrangirchar, uma área de favelas em Daca, mantiveram os serviços de saúde reprodutiva para meninas e mulheres em 2018, realizando quase 12 mil consultas de pré-natal e assistindo 760 partos. Oferecemos apoio médico e psicológico a 885 vítimas de violência sexual e violência por parceiro íntimo, realizamos 9.300 consultas de planejamento familiar e 2 mil consultas individuais de saúde mental com pessoas de todas as idades. Como parte de nosso programa de saúde ocupacional, oferecemos mais de 9.500 consultas médicas e vacinas antitetânicas a 550 pessoas que trabalham em condições perigosas nas numerosas fábricas de pequena escala em Kamrangirchar.

História de Johura

Johura e seu irmão de 10 anos, Hyrul Amin, vivem com seus tios e tias em um extenso campo de refugiados no distrito de Cox's Bazar, Bangladesh. Eles são os únicos sobreviventes de uma família de 16 pessoas.

“Os militares anunciaram que ficaríamos bem, que não devíamos nos preocupar. Eles separaram os homens das mulheres. Eu vi tudo. As pessoas estavam sendo reunidas ao lado do rio. As mulheres bonitas foram levadas para algum lugar e os homens mais velhos foram mortos. Antes de serem mortos, eles receberam a tarefa de cavar suas próprias sepulturas." 

Johura Begum, a 12-year-old Rohingya refugee, is seen at a madrassa (Quran school- the only school available to most Rohingya children). Johura and her 10-year-old brother Hyrul Amin live with their aunt and uncle in a sprawling refugee camp in Cox’s Bazar district, Bangladesh. They are the sole survivors from their family of 16 – the rest were killed when the Burmese military attacked their village in Rakhine state, Myanmar. “The military people announced that we’d be fine, that we shouldn’t worry. They separated the men from the women. I saw everything with my own eyes. People were being gathered by the side of the river. The pretty women were taken somewhere and the older men were being killed. Before they were killed, they were given the task of digging graves in which to bury themselves.” Johura managed to escape. “When I was running away, I fell in the river and then I was shot. I climbed out of the river and into the graveyard. And there was my sister. I saw one of my sisters had been shot in the face. She had blood all over her face…I fainted. When I woke up, a man was carrying me. He was running. Along the way I saw my young brother.” Johura spent 14 days in hospital. She now lives with her brother and her aunt in one of the sprawling makeshift refugee camps for the Rohingya in Cox’s Bazar district, Bangladesh. She talks about life now, one year later: “A lot of children can call for their parents but we don’t have parents to call out to. Whenever I can’t call for my parents, I don’t feel peaceful... whenever I feel the pain (from the gunshot wound) and what the military people did in Myanmar, I remember that. I don’t feel good at all here, I want to see my parents and siblings and now I have to live in someone else’s house, which I don’t like... The other kids are peaceful that’s why they are playing. I’m not peaceful in my body; that’s why I can’t play. My brother and I have all the worries of this world.”
12-летняя Джохура Бегум, беженка из народа рохинджа, с одноклассниками в медресе (примечетская школа изучения Корана; единственная школа, в которую могут ходить большинство детей рохинджа). Округ Кокс-Базар, Бангладеш, август 2018 г.
© Robin Hammond/NOOR

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