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Children are playing in the Bidibidi camp. On the background we can see some shelters and the water tank provide by MSF.
Relatório anual 2017

Sudão do Sul sem Fronteiras: os esforços de MSF para ajudar os deslocados

No distrito de Yumbe, em Uganda, as crianças do campo Bidi Bidi brincam perto de um tanque de água e abrigos construídos por MSF.
© Frederic Noy/COSMOS
Ebola disease in DRC: find out how we're responding
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Quatro anos de conflito civil custaram um preço muito alto para população do Sudão do Sul e criaram uma das piores crises de deslocamento do mundo. Os civis experimentaram níveis extremos de violência e foram forçados a deixar suas casas. Dois milhões de pessoas estão atualmente deslocadas dentro do país, enquanto outros dois milhões buscaram refúgio na República Democrática do Congo, na Etiópia, no Sudão e em Uganda, e estão espalhados em campos de refugiados ao longo das fronteiras.

Depois de duas guerras brutais que duraram décadas, o Sudão do Sul conquistou a independência em 2011, mas ainda hoje luta para oferecer infraestrutura e serviços essenciais para a população, como cuidados de saúde. Em dezembro de 2013, dois anos após a independência, uma divisão interna dentro do partido do governo, o Movimento de Libertação do Povo do Sudão, desencadeou um conflito violento que deslocou quase quatro milhões de civis - um terço da população do país mais novo da África. Metade desses civis afetados pela guerra vivem deslocados internamente enquanto os demais fugiram do país.

De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), o colapso das negociações de paz de julho de 2016 contribuiu para um novo aumento no deslocamento: 737.400 pessoas deixaram suas casas até o final daquele ano. Os números continuaram a aumentar no início de 2017, particularmente na região de Equatoria, que viu um êxodo sem precedentes de um milhão de pessoas. O fluxo tem sido tão dramático que Uganda e Etiópia agora abrigam o maior número de refugiados da África Subsaariana.

South Sudan without borders: MSF's efforts to help the displaced

Os deslocados têm o acesso a água potável, saneamento e instalações de saúde severamente limitado. Por isso, são mais propensos a doenças como malária, infecções respiratórias, de pele e, em algumas áreas, cólera. A maioria dos deslocados é de pessoas vulneráveis: 85% dos refugiados são mulheres e crianças. MSF criou um dos programas de assistência médica mais ambiciosos, com 17 bases no Sudão do Sul e sete na fronteira. MSF está continuamente desenvolvendo e adaptando operações para ajudar os deslocados - desde a criação de hospitais nos campos até a entrega de suprimentos médicos a pé - tudo para tentar alcançar e tratar os pacientes, independente de quão remotos sejam suas localizações.

Sudão

No fim de 2017, a ONU registrou 772 mil refugiados sul-sudaneses no Sudão e espera a chegada de mais 200 mil em 2018. MSF montou um hospital de emergência que oferece cuidados de saúde secundários e administra um hospital no campo de refugiados de Kashafa, que atua como centro de referência.

"Muitos dos sul-sudaneses que agora vivem nos campos de refugiados do estado de White Nile fugiram da violência sexual, da tortura, do assassinato e da destruição de suas casas e aldeias." Lulwa Al Kilansi, coordenador de projetos
Khor Wharal, Sudão Já exaustos, os refugiados sul-sudaneses são registrados na fronteira e precisam pegar um ônibus para chegar ao campo de refugiados de Khor Wharal, no estado de White Nile.
Khor Wharal: Once refugees are registered at the border crossing point, again they climb on buses for the journey to Khor Waral refugee camp
Weary South Sudanese refugees are registered at the border crossing point and must then take another bus for the journey to Khor Wharal refugee camp in White Nile state.
© Olivia Tanini/MSF
De um refugiado para outro, espero que eles possam ir para casa em breve. Enquanto o Sudão lhes oferece proteção… aqui não é onde eles querem estar. Lulwa Al Kilansi, coordenador de projetos
Children are playing in the Bidibidi camp. On the background we can see some shelters and the water tank provide by MSF.
No distrito de Yumbe, em Uganda, as crianças do campo Bidi Bidi brincam perto de um tanque de água e abrigos construídos por MSF.
© Frederic Noy/COSMOS

Uganda

Um grande número de refugiados, principalmente da região de Equatoria, no Sudão do Sul, chegou ao norte de Uganda em 2017. MSF oferece cuidados de saúde primários e maternos, bem como apoio e atendimento de saúde mental para sobreviventes de violência sexual. Mas a ajuda para o acampamento, em permanente crescimento, ainda é insuficiente. Apenas Bidi Bidi recebeu 270 mil refugiados em abril de 2017 - mais do que qualquer outro lugar do mundo. A ONU esperava que cerca de 300 mil refugiados sul-sudaneses chegassem a Uganda em 2017. Em março, a estimativa subiu para 400 mil.

Em junho, Jocomina Apelino chegou a Uganda com os três filhos, em busca de comida. Mas lacunas de financiamento forçaram o Programa Mundial de Alimentos a reduzir a oferta de comida nos campos de refugiados. Jocomina agora enfrenta a mesma escassez que sofria em casa, quando cuidava da sogra doente e do sobrinho. Em agosto, um milhão de pessoas haviam chegado aos quatro campos de refugiados (Bidi Bidi, Imvepi, Palorinya e Rhino) no distrito de Yumbe - 85% delas eram mulheres e crianças. A ONU estimou que 1,3 milhão de crianças sul-sudanesas com menos de cinco anos estavam em risco de sofrer de desnutrição aguda no fim de 2017.

Jocomina Apelino, 45 years old, fled South Sudan in April 2017 and came to Uganda with three children. Although one of the reasons why she left Sough Sudan is the lack of food, she is now facing the same issue here in the refugee settlement. Food distributions are not enough and often don’t come in time. Her mother-in-law is sick and her nephew is having malaria. Her husband passed away few years ago and now she is living in a refugee settlement with ten other family members, including her three children.
Jocomina Apelino, a mother of three, who arrived in Uganda in June 2017.
Atsushi Shibuya
Nhil Yual, 20 and his sister Najok, 6 wait in the waiting area of the MSF health post in Pugnido camp in Gambella, Ethiopia on 23 Nov 2017. They came to get Najok seen by a health post worker as she has been suffering a rash on her scalp for the past few days. They arrive in Pugnido in 2015 after fleeing the conflict. They came with their mother and three other siblings. Their father died during the conflict.
In November 2017, Nhil Yual and his younger sister Najok sit in the waiting area of the MSF health post in Pugnido camp in Gambella, Ethiopia. Najok is suffering from a head rash. Em novembro de 2017, Nhil Yual e sua irmã mais nova, Najok, esperam atendimento no posto de saúde de MSF no campo de Pugnido, em Gambella, na Etiópia. Najok está sofrendo de uma irritação na pele.
ZACHARIAS ABUBEKER

Etiópia

Nos arredores de Pugnido, MSF leva atendimento aos refugiados sul-sudaneses e às comunidades locais. Em 2017, aumentamos nosso apoio ao hospital de Gambella, a única instalação na região que oferece ajuda médica especializada para 800 mil pessoas - metade delas veio do sul do Sudão.

A falta de água potável é uma questão séria para todos os campos de refugiados vizinhos ao Sudão do Sul, contribuindo para o aparecimento de doenças como a diarreia aquosa aguda. A superlotação também facilita a disseminação da tuberculose e das infecções do trato respiratório.

Women work to collect water in the Nguneyyiel refugee camp in the Gambella region of Ethiopia on 26 Nov 2017.
Women work to collect water in the Nguneyyiel refugee camp in the Gambella region of Ethiopia on 26 Nov 2017.
© ZACHARIAS ABUBEKER
Durante o segundo semestre de 2017, vimos um grande influxo de refugiados - aproximadamente 30 mil - no campo de Nguneyyiel, em Gambella, depois que outro campo foi invadido pelas forças armadas. Anton Breve, coordenador adjunto de projetos

República Democrática do Congo

Refugiados sul-sudaneses e repatriados congoleses chegaram em dois locais perto da fronteira com o Sudão do Sul - Karagba e Olendere, na província de Ituri, República Democrática do Congo - onde MSF mantém clínicas móveis. As clínicas oferecem cuidados de saúde básicos, apoio à saúde mental e consultas de saúde sexual e reprodutiva. Também apoiamos o hospital regional.

South Sudanese refugees and Congolese returnees have arrived in Karagba and Olendere,
Ituri province, two sites close to the South Sudanese border, where MSF has set up two
mobile clinics. The clinics provide basic healthcare, mental health support and sexual and
reproductive health consultations. MSF also supports the regional hospital.
South Sudanese refugees and Congolese returnees have arrived in Karagba and Olendere, Ituri province, two sites close to the South Sudanese border, where MSF has set up two mobile clinics. The clinics provide basic healthcare, mental health support and sexual and reproductive health consultations. MSF also supports the regional hospital.
Pierre-Yves Bernard/MSF