298,000
298,
17,600
17,6
2,000
2,
790
79
330
33
Os campos de refugiados de Dadaab, no nordeste do Quênia, existem há 25 anos. Em maio, o governo queniano anunciou que os fecharia no fim do ano, citando preocupações econômicas, de segurança e ambientais. Com a desativação dos campos, seus moradores retornariam para a Somália, um país afetado pela guerra. MSF se opôs publicamente à decisão e, em agosto, conduziu uma pesquisa em Dagahaley, um dos cinco campos que constituem o complexo. Os dados mostraram que 86% das pessoas não desejavam voltar para a Somália. Em novembro, o governo anunciou que estenderia o prazo de fechamento para maio de 2017.
Durante o ano, MSF deu continuidade ao seu trabalho no hospital de 100 leitos em Dagahaley e nos dois postos de saúde. As equipes realizaram 162.653 consultas ambulatoriais e internaram 9.137 pacientes no hospital, incluindo 917 crianças com desnutrição grave. Mais de 3 mil bebês nasceram na maternidade do hospital.
Em janeiro, MSF iniciou um projeto de saúde sexual e reprodutiva na unidade de saúde de Mrima, em Mombasa. Em parceria com o Departamento de Saúde do Condado de Mombasa, MSF visa reduzir a mortalidade materno-infantil na região. Em 2016, 1.473 partos foram auxiliados e mais de 2 mil mulheres participaram de consultas de pré-natal.
Os profissionais continuam a lutar contra o surto de cólera, que teve início em dezembro de 2014. Até o fim de 2016, foram reportados 16.511 casos em todo o país. MSF respondeu em 16 condados, dando apoio às autoridades para montar centros de tratamento de cólera, treinar profissionais, doar medicamentos e suprimentos, conduzir atividades de promoção da saúde e melhorar as condições de água e saneamento. No total, 4.712 pacientes de cólera foram tratados. Em Mandera, o surto de cólera coincidiu com um surto de chikungunya, sobrecarregando ainda mais os serviços de saúde. As equipes de MSF trataram cerca de 1.150 pacientes e distribuíram 2.800 mosquiteiros.
Em Nakuru, MSF interveio para responder a uma epidemia do vírus influenza declarada pelas autoridades de saúde, com uma taxa de mortalidade informada de 12,3% entre os pacientes. MSF confirmou a existência de um pico de casos de Síndrome de Infecções Respiratórias Agudas devido a diversas patogenias e não apenas ao influenza. A alta taxa de mortalidade era consequência de problemas na gestão dos casos. MSF começou a atuar no fim de abril para apoiar o tratamento de 240 pacientes e, um mês depois, a taxa de morte dos pacientes caiu para 0%.
Nairóbi
Mais de 200 mil pessoas que vivem em Kibera, a maior favela de Nairóbi, e têm acesso a atendimento médico geral em uma clínica administrada por MSF. Neste ano, 176.415 pessoas receberam tratamento de MSF. Além dos cuidados de saúde básica e materna, a clínica atendeu 728 pacientes de HIV, 386 de tuberculose (TB) e 997 de doenças não comunicáveis, como hipertensão, asma e epilepsia. Além disso, 11 pacientes começaram um novo programa de tratamento de hepatite C e 114 receberam cuidados para violência sexual e baseada em gênero.
Depois de 20 anos em Kibera, MSF está no processo de repassar a clínica para o governo queniano e outra ONG. Em junho, a transferência da ala de maternidade, onde 200 bebês nascem por mês, foi realizada com sucesso. A conclusão do processo de repasse está programada para o meio de 2017.
Eastlands, Nairóbi
Desde 2008, a clínica de MSF em Eastlands, em Nairóbi, oferece assistência psicológica, médica, jurídica e social a vítimas de violência sexual e baseada em gênero. Desde o fim de 2015, MSF também trabalha junto às autoridades para desenvolver um modelo integrado de atendimento em duas instalações de saúde primária da região.
Mais de 2.700 pacientes novos foram tratados em 2016; metade deles menores de idade.
MSF continua a trabalhar com as autoridades locais para aumentar o acesso a cuidados de emergência para pessoas que vivem na favela de Mathare e no bairro de Eastleigh. O projeto inclui um call center, um serviço de encaminhamento por ambulância e apoio ao departamento de emergência do hospital de Mama Lucy Kibaki que inclui equipe, triagem, treinamento e doações de equipamentos e medicamentos sobressalentes para cobrir eventuais faltas de estoque. As ambulâncias de MSF atuaram mais de 5.200 vezes durante o ano e mais de 24 mil pessoas foram enviadas para o departamento de emergência do hospital.
Uma equipe de Eastlands apoia a detecção e o tratamento de TB multirresistente a medicamentos (TB-MDR). Dezoito pacientes de TB-MDR foram diagnosticados e quatro deles foram capazes de iniciar programas contendo bedaquilina ou delamanida, os primeiros medicamentos de TB desenvolvidos em 50 anos.
Cuidados de HIV em Homa Bay
O HIV permanece um grave problema de saúde pública em Nyanza. Em Ndhiwa, Home Bay, por exemplo, um a cada quatro adultos vive com o vírus, enquanto 2% da população é infectado a cada ano.
O vírus também continua a matar. Um estudo realizado pela Epicentre e MSF entre dezembro de 2014 e março de 2015 na enfermaria de pacientes adultos do hospital de referência de Homa Bay revelou que um terço das internações e 55% das mortes ocorriam por causa da Aids. Um dado preocupante foi que 50% dos casos de Aids eram de pessoas que não seguiam o tratamento corretamente e demonstravam novas infeções oportunistas, apesar de terem iniciado o regime de antirretrovirais (ARV).
Desde 2014, MSF mantém um programa no subcondado de Ndhiwa que visa controlar a disseminação do HIV e reduzir o número de mortes em função da doença. MSF trabalha junto com o Ministério da Saúde e as comunidades locais para reforçar todas as medidas de prevenção e cuidados de HIV no condado, tais como circuncisão masculina voluntária, prevenção de transmissão de mãe para filho, diagnóstico de HIV e terapia com antirretrovirais e apoio com aderência e cuidados secundários, incluindo o tratamento de doenças oportunistas.
MSF também está envolvida na ala médica para adultos dos hospitais de Homa Bay e Ndhiwa para melhorar a qualidade do atendimento prestado para pacientes com e sem HIV. MSF atua na organização geral, no recrutamento de funcionários, treinamento, revisão de protocolos e qualidade dos atendimentos clínicos e de enfermagem.
Em 2016, mais de 3 mil pessoas foram diagnosticadas e inscritas e mais de 14.300 receberam ARVs em Ndhiwa. Cerca de 5 mil pessoas foram internadas nos hospitais de Ndhiwa e Homa Bay, apoiados por MSF.